Monólogo – (Autor desconhecido)

Ela estava no parque esta tarde, a pouca distância de seu tutora. Os traços de seu rosto revelavam que, embora o porte físico fosse de uma jovem, sua mente sempre continuaria a de uma criança. Meus filhos corriam, saltavam e peneiravam a areia, com seus dedinhos perfeitos e bem coordenados. Brincando entretidos com uma pá eles nem notaram que o vento mudara de direção, mas ela notou. As fortes rajadas do vento de outono revolviam as folhas cor de âmbar.
Chamei meu filho, um menino muito ativo, peguei minha filha pela mão. Esta na hora de ir o papai ainda tem muitas coisas para fazer hoje. Meu filho, com bochechas rosadas, empertigou o corpo e olhou fascinado, com os olhos arregalados, a dança da menina com Síndrome de Down. Ela colhias as folhas do chão e jogava-as por cima da cabeça, como se fosse uma chuva cintilante e jubilosa de outono.
A cada giro com o corpo, ela pulava e cantava, com voz deficiente vinda do fundo do coração – um cântico especial. Aquele cuja respiração faz as folhas despencarem das arvores.
Rapido. Vamos embora! Já prenderam os cintos de segurança?
Dou a partida no carro. Pelo espelho retrovisor, eu olho para a menina mais uma vez, através de meus olhos embaçados. Em seguida, lágrimas surgem. Não as lágrimas são de piedade por ela. As lágrimas são por mim.
Sou muito orgulhoso para ser grato pela vida que tenho, pelas pessoas que amo. Sou uma pessoa inteira, normal e inteligente, e choro porque nunca serei capaz de conhecer a maravilhosa misericórdia que liberta uma criança como aquela e a leva a dançar no meio das folhas de outono.


Em todos os lugares!