Não sei você, mas se tem uma coisa que gosto muito é de assistir o show de uma banda. Não sou aquele tipo de músico babaca que se sente ameaçado quando vê um outro tocando. Aliás, acho a maior curtição ver outras bandas tocar, e posso dizer, todo mundo (principalmente músicos) precisam assistir apresentações de outros grupos – profissionais ou não.
Em 1994, um bom tempo antes de Deus mudar o rumo da minha vida, eu tinha uma banda de covers. Nos anos 90 as bandas covers eram uma febre. Afinal, se você não podia ver o show dos seus ídolos, nada mais legal do que assistir uma banda cover tocar. Era como se você chegasse “perto” da sua banda favorita, e pode acreditar, tinha muita banda competente – como o U2 Cover, que era realmente muito parecido com a trupe do Bono Vox.
No caso da minha banda, tocavamos covers de diversas bandas que faziam sucesso na primeira metade dos anos 90. Afinal, para uma banda cover a melhor maneira de vender seu show era tocar aquilo que se escutava nas rádios. Outra vantagem era a seguinte, as rádios não eram tão jabaseiras como são hoje (e a 89 FM ainda era a Rádio Rock!).
Naquela vida de tocar em vários eventos (muitas vezes por nenhum tostão, e sim pela diversão), fazíamos amizades com outras bandas e sempre estávamos nos cruzando por aí.
Nesse início de 2010, aproveitando o repouso da minha esposa que nos presenteou com nossa segunda filha, fui levar a Rachel, minha filha mais velha num evento que estava acontecendo na cidade. Para minha surpresa, vejo tocando nesse evento uma banda que era de conhecidos meus da minha época de banda cover. Ou seja, 16 anos atrás. Quando vi a cena, respirei fundo, e pensei: “A fila andou pacas…”
…andou pra mim, mas para aquela banda acho que não. Você vai entender.
Uma coisa é uma banda que toca clássicos do rock (ou do blues, do jazz, da MPB, da bossa), outra coisa é uma banda que parou no tempo e tem um repertório desatualizado, fora do contexto em que vive. Quando comecei a ver o show dos caras eu me senti com 16 ou 17 anos novamente (até perceber que a Rachel estava no meu colo). E no começo, aquilo que parecia ser uma coisa legal, começou a se tornar chato pra mim. Honestamente, não tenho “pedigree” para ser o “tiozão nostálgico”, gosto de coisas atuais.
Se tem uma coisa que me irrita é a pessoa que teima em parar no tempo e não caminhar com a mudança das coisas. E se tratando de música, pude ver realmente porque aquela banda tem mais de 15 anos estrada e continua fazendo pequenos shows a troco de cerveja e nunca saiu disso.
Também pudera, os caras tocam as mesmas músicas que tocavam em 1994 (ou aquelas que sonhavam em tocar, mas ainda não tinham capacidade para tal!). Ainda se fossem composições deles, tudo bem, o artista vive da sua própria história. Mas não, eles são uma banda de covers que parou no tempo (acho até que compram discos em lojas de LPs e gravam suas músicas em fitas-cassetes, ou assistem seus shows favoritos num vídeo-cassete de 4 cabeças!).
Claro que também gosto de ouvir meus “dinossauros do rock”, de vez em quando. Mas estamos no século XXI, e muita coisa mudou, muito artista famoso já morreu (I’m sorry Michael Jackson, but is true, you are dead!). Muita banda nova surgiu, inclusive muito lixo também! (vale lembrar, todas as épocas têm seus lixos musicais).
Um dia desse tomei um susto, estava voltando de São Paulo umas 23h00 e resolvi não ouvir as músicas que estavam no meu celular, coloquei numa estação de rádio. Foi quando começou um programa chamado “As músicas do baú”, para o meu espanto, eram músicas com no máximo 8 anos que haviam sido lançadas.
Nessa hora me veio uma certeza, se há 10 anos você achava que as coisas estavam mudando rápido demais, agora então, elas mudam em tempo real. E pode ter certeza de uma coisa, artistas são o reflexo do seu tempo.
Independente da arte que você faz, não dá pra você ser contemporâneo se você falar de coisas que estão completamente fora do contexto social em que você vive. O próprio rei Salomão, há mais de 2.000 anos disse que há tempo para tudo (tempo de rir, tempo de chorar, tempo de sol etc.). Não dá pra parar no tempo, se você parar, torna-se uma carta fora do baralho.
Há pouco tempo, eu estava conversando com um organizador de eventos e perguntei se ele chamaria determinado grupo para tocar. Ele me respondeu que não chamaria porque já tinha dois anos que aquele grupo não lançava nada de novo. Duro isso, não?
É claro que também não sou a favor dessa história de que todo ano você precisa colocar um trabalho novo para o público (isso porque estou prestes a lançar o terceiro trabalho do Tehilim…), pois muitas vezes a divulgação e a turnê de um espetáculo dura uns dois anos. Mas que é certo que não podemos achar que aquilo que fizemos no passado continua sendo atual, isso é fato.
A internet mudou completamente a concepção do que é ser atualizado. O famoso desse mês pode não ser o famoso do mês que vem. As conversas que você teve no seu MSN ontem, hoje estão desatualizadas. A página do seu site que foi visitada hoje, se em um mês não tiver algo novo certamente apresentará uma queda no número de visitantes.
Recentemente, um determinado artista da música gospel estava abrindo vagas para montar uma nova banda. O engenheiro de som desse artista me falou que em uma semana eles receberam mais 40 mil vídeos de músicos se candidatando às vagas. Até um tempo atrás, esse artista teria que perguntar para outros amigos músicos se eles tinham alguém para indicar. Mas o fator internet muda tudo. Em outras palavras: a fila está andando muito rápido!
A grande verdade é que a informação anda na velocidade da luz. Se você é artista e não tem um site, uma página no Facebook, uma página no MySpace e um Twitter você está correndo o sério risco de nunca ser conhecido. Aliás, se tendo esses recursos que citei é super trabalhoso você se propagar, sem eles então, é um suicídio cultural!
É só pensar, quem é a última grande banda dos últimos 10 anos, surgida de 2000 pra cá? Digo uma grande banda nos moldes do U2 (aliás, esses já tem mais de 30 anos). Com certeza você não conseguirá responder. Sabe por quê? Porque surgiram milhares que fizeram sucesso e sumiram, isso apenas dentro de uma década.
Portanto, aceite meu conselho e guarde: Faça o melhor que você tem para fazer, hoje. Para que sua arte conquiste alguns, hoje. Porque amanhã você pode ser esquecido.
Boas coisas duram para sempre, é verdade. Mas em termos artísticos, que é o que estamos falando aqui, isso é uma via de mão dupla. Você pode até escrever seu nome na história, mas também pode ser um sucesso momentâneo.
Quando penso em bandas como a que falei no início do texto é que me torno um incentivador das composições musicais próprias. Se você produz sua música e a sua arte, e não vive de tocar ou apresentar o que os outros fizeram, certamente essa é a melhor forma de sempre estar atualizado. Afinal de contas, a sua arte é só sua (por mais que façam covers dela), foi você quem produziu. Se daqui há 16 anos você for chamado para apresentá-la, ela continuará sendo sua. Mas quando você só repete o que os outros já fizeram, você nunca se atualiza, suas idéias nunca se renovam. Você fica estagnado no tempo daquele artista.
Por isso, produza! Faça você. Crie você. Não fique na cola do sucesso dos outros. Independente da popularidade que a sua produção terá, não abra mão de fazer algo que é seu. Se somos feitos a imagem e semelhança de um Deus que é criativo, não é possível que não consigamos fazer algo novo.
Sei de uma coisa, se eu encontrar aquela banda novamente vou procurar apresentar o MP3 Player, o Blue ray, a câmera digital e um notebook para eles. Porque pra ficar com um repertório desatualizado há mais de 15 anos, certamente eles devem morar numa caverna escondida do mundo.
César Ricky Mendes – www.tehilim.com.br 27/01/2010



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