Guilherme de Pádua, prisioneiro em liberdade

O apresentador Ratinho, que quase não gosta de polêmicas, conseguiu uma entrevista exclusiva com o ex-ator Guilherme de Pádua, que em 1992 foi condenado pelo assassinato de Daniela Perez, junto com sua então mulher, Paula Thomáz.  A jovem, que tinha 18 anos, era  filha de Glória Perez, autora de várias novelas globais.

Inconformada com a entrevista, prevista para ser exibida nesta quarta-feira (7) e, provavelmente, na quinta-feira (8), Glória Perez mostrou estar indignada em sua página pessoal, no Twitter, pelo fato de o apresentador dar espaço para Guilherme em seu programa:

“Lastimável a atitude do Ratinho de levar o psicopata [Guilherme] ao seu programa. Peço a vocês que deem ‘RT’ [reprodução a outros endereços no twitter] nesses vídeos”, escreveu a novelista, que postou inúmeros links com vídeos no Youtube que mostram a condenação de Guilherme de Pádua.

Em seguida, a novelista ainda mandou a mensagem direto para o apresentador:

“@ratinhodosbt venha até meu Twitter conhecer de verdade o assassino que vai entrevistar. Mais em: http://daniellafperez.blogspot.com”, escreveu.

Em resposta à Glória, Ratinho também usou sua página no Twitter para tentar esclarecer seu ponto de vista sobre a entrevista que, segundo ele, é um assunto polêmico e que tem impacto na opinião pública.

“Essa matéria é pra saber perante a opinião pública se estes crimes hediondos já foram esquecidos ou ainda estão vivos na memória popular. Tenho três filhos e três netas. A história triste, o crime bárbaro, nada apaga a dor da perda de um filho. Na verdade, tento colaborar para que estes casos não fiquem esquecidos e a nova geração tome conhecimento do que aconteceu anos atrás”, postou ele, que em seu programa, no SBT, ainda questionou o fato de não poder entrevistar o assassino, já que outras emissoras podem entrevistar os Nardoni, a Suzane von Richthofen, entre outros que cometem crimes hediondos.

Por fim, Glória mostrando-se decepcionada com Ratinho:

“Que decepção! Eu apertei sua mão nos tempos em que você se indignava com assassinatos covardes!”.

Guilherme postou em seu Twitter o pedido e apoio de seus amigos/seguidores:

“Amigos, peço que vejam minha entrevista no programa do Ratinho, nesta quinta, a partir das 18 horas!”

Digiteio na parte de busca do site de relacionamentos e encontrei muitas manifestações a favor e contrárias a entrevista, algumas desejando até a morte de Guilherme.

Em entrevista à Folha de São Paulo, feita em Belo Horizonte, cidade natal e atual residência, Guilherme de Pádua desabafou:

“Continuo preso. Fui uma espécie de exemplo de justiça superexposto pela mídia, em um país repleto de impunidade. A verdade é que fiz bobagens, mas sou inofensivo, e por isso as pessoas não têm medo de me agredir na rua. Já chegaram a me cuspir no rosto, em um shopping. Se eu fosse um bandido de verdade, um Marcola, você acha que alguém gritaria “Assassino!” para mim?”

Aos 36 anos, Guilherme leva uma vida bastante restrita para quem sonhou em ser astro da Globo. É membro da igreja evangélica batista da Lagoinha, localizada em um bairro de classe média baixa, trabalha na informatização do templo e casou-se com uma colega de culto, a produtora de moda Paula Maia.

Sobre ainda ser condenado pelas pessoas ele se questiona:
“”Não paguei o que eles determinaram? Paguei. Tudo o que me mandaram na cadeia, eu obedeci. “Abaixa ali; levanta; abre os braços; deita no chão sem roupa.” Só não morri porque ninguém teve a idéia de me mandar dar um tiro na cabeça.”

Mas um dia, logo que chegou a prisão, pensou em suicídio: “Olhei para uma torneira alta na cela e me passou pela cabeça amarrar ali a calça e me enforcar. Mas aí pensei nos meus pais: já tinha dado desgosto suficiente a eles”, diz Guilherme, que é filho temporão de um professor universitário aposentado e de uma dona-de-casa, tem três irmãos e foi criado em boas escolas.

Mas quem será o Guilherme de Pádua hoje então? Como ele se converteu? Ele próprio responde:

Minha conversão se deu no cárcere, mas continua ocorrendo, a cada dia, em busca de dar novos passos em direção ao que Jesus ensinou. Na prática, minha conversão se deu através do amor que recebi dos cristãos… “o amor constrange” e ao receber tamanho amor, ao contrário do ódio que recebia da maioria das pessoas, percebi que havia algo diferente, que eu não conhecia, nesse “povo de Deus”. Acabei sendo contagiado por esse amor e quis ser igual, quis sentir o mesmo amor dentro de mim, quis fazer parte desse povo. No começo, foi porque eu não tinha outra opção, ninguém mais me queria! Mas “a fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Deus”. Hoje sou apaixonado por Jesus e por este povo evangélico, que conseguiu ver esperança onde ninguém mais via!

“Sou uma nova criatura em Cristo Jesus”. “Eis que tudo se fez novo”. “As coisas velhas se passaram” – estou citando algumas das palavras da Bíblia que me vêm à mente. Hoje sou uma pessoa comum, que ama poder participar da obra de Deus… Sou alguém que, cada vez mais, vive no “universo” da igreja e que, cada vez menos, convive com os “outros universos”. Sou grato a Deus por ter podido cumprir minha pena e ter a chance de mostrar que uma vida pode ser mudada e reconstruída. Sou hoje uma pessoa que, com todas as forças, tenta fazer a sua parte. Mais do que isso, sou alguém que ama ver outras pessoas acertarem os passos, corrigirem seus erros (se converterem aos caminhos de Deus)… Como se, cada vez que isso ocorre, estivesse ocorrendo comigo novamente. Minha vida hoje é isso: ajudar outros a reencontrarem o caminho certo: Jesus Cristo e o que ele ensinou. Parece até parágrafo decorado, não é? Mas o fato é que a minha vida hoje se resume totalmente à igreja.

O que eu penso sobre isto?

Eu acredito em um Deus que opera milagres nos dias de hoje.
Acho engraçado a sociedade condenar alguém que já foi condenado e cumpriu o que a lei determinou.

Penso que podíamos começar a praticar a oração, que Jesus nos ensinou:
“Perdoa as nossas dividas assim como perdoamos aos nossos devedores”

E obedecer o mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas, e  o próximo como a ti mesmo”.

Amar e perdoar são escolhas racionais, ás vezes difíceis de serem tomadas, mas que nos tornam mais parecidos com Aquele que nos criou.

Para quem quiser acompanhar a tão polêmica participação do Guilherme de Pádua, acompanhe, dia 07 e talvez 08 de abril , o Programa do Ratinho, no SBT, às 18h.

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6 comentários

  1. Marília /

    Muito bom o texto Gu… é facil pregar a palavra de Deus e não acreditar no arrependimento genuino das pessoas… a salvação é a vida transfomada através de Cristo em nós…
    Não acreditar que uma pessoa se converte ao evangelho e muda de vida é a mesma coisa de não acreditar no sacrificio na cruz …
    Consigo tentar entender o q é a dor da perda de um filho, aliás, Deus sabe exatamente como é esta dor… pq ele nos Deus o que tinha de mais precioso, seu filho para morrer na cruz em nosso lugar … e este amor é para todos…
    Que este amor que conseguiu alcançar a vida do guilherme consiga alcançar a vida da Glória Perez tb…

  2. Eliane Amaral /

    Muito bom, Gustavo! Deus é o Deus que recupera as pessoas, que restaura completamente. Ai de nós se não fosse a graça restaurada de nosso Senhor Jesus Cristo. 2 Co 12.9 “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo.”

  3. Camila Di Cascia /

    Realmente é valido crer que ele se arrependeu e está no caminho certo! Até ai nenhum problema, pelo contrário “Glória Deus”. Porém, querer “re”aparecer na mídia não da pra engolir. Mídia essa que ,segundo ele mesmo disse em seu depoimento na época do crime – o motivou a assassinar a vítima. Pois ele era filha da autora e esse foi o fator que fez ele se aproximar dela ……e o resto é procurar na net que da pra ler o depoimento dele no julgamento.
    Voltando, ao ponto…aparecer na mídia e ignorar a dor da mãe da menina, é falta de respeito. Uma família inteira sofreu e sofre a perda de uma pessoa querida. Ele teve a chance de recomeçar, ótimo!!! E graças as leis falhas do nosso país ele tem hoje a ficha limpa, como se nunca tivesse matado ninguém. E se ele nunca matou ninguém, logo a Daniela Perez nunca existiu…certo? enfim..leis brasileiras.
    Porém, ela existiu sim, e tanto a Daniela Perez quando sua família não tiveram uma segunda chance. Então respeito é bom e todo mundo gosta..amai o próximo como a ti mesmo.
    Será que ele não pensa que está causando dor em uma mãe, em uma familia?
    E para aqueles que não conhecem a palavra de Deus ele Tb está dispertando a revolta a a irá nessas pessoas, e mais uma vez os evangélicos na berlinda. Tudo por uma busca ridícula por midia! Junção perigosa dos desejos de um apresentador de televisão, uma emissora, alguém que sempre quis aparecer nessa maquininha de fazer doido e de muitos que se aproveitam da cituação para “aparecer” – simplesmente por “aparecer”. Lamentavel!!!!

  4. Nádia Cardoso /

    Gostei do texto! Expõe os fatos, emite sua opinião, afinal não existe jornalismo neutro e termina falando da graça de Deus, que é algo que não se explica, apenas se recebe.

  5. Bia /

    A Daniella Perez tinha 22 anos na época do crime [corrigindo].

    O Guilherme de Pádua é um hipócrita !
    Essa entrevista só deu a certeza de que ele não se arrependeu.
    Se esconde atrás da religião.
    Ele só quis que mostrasse a vida “renovada” que ele estava vivendo, falar do crime ou do que ele sentia, nada. Tudo bem que a Glória estava esperando uma calúnia para processá-lo, mas ele poderia sim ter respondido.Porque vcê matou a Daniella? …poderia ser óbvio ..mas fez rodeios,e deixou que nós[público] tirasse nossa conclusão,ou melhor, conclusão ja tinha, a do processo de acusação.

    Temos que dar chances a Família da Daniella isso sim, não a ele.
    Perdão?…Deus perdoa sim! …mas Castiga também!
    Mas nós aqui vamos ser a sentença merecida dele.

  6. Mara F. /

    Geeente!!! “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.É bíblico! Não vamos confundir as coisas. Esse cara já teve a chance dele de ser astro e não aproveitou. Ele está bem, muuuito bem. Cumpriu uma pena daquele jeito brasileiro que todo mundo sabe como é né?! Nada comparável a outros países. A Daniela é que nunca mais vai voltar. A mãe da Daniela nunca mais vai ser a mesma. O Guilherme tá ótimo. Agora voltar pra mídia???!!! Tenham a santa paciência. Poupem-me!

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